17.9.09

De repente tudo dá a volta e quando pensamos estar com os pés no chão, estamos com eles no ar.
Vem uma rajada de vento e leva-nos, batemos contra uma rocha e ficamos inconscientes num lugar onde nunca estivemos. O corpo dói e ficamos gelados. Respirar cansa. Não há força para levantar e simplesmente ficamos.

Pensar já me cansa. Adormecer era bom.

16.9.09


24.7.09


Não sei quantas almas tenho.

Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: <Fui eu?>
Deus sabe, porque o escreveu.

Fernando Pessoa